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UI e UX: saiba como usá-las em conjunto e transforme o seu negócio

Raffael Lodo

Raffael Lodo

Você provavelmente já deve ter escutado no trabalho alguma conversa sobre a prática de UI ou o excelente “UX” de um produto. Mas no fim das contas, o quanto isso reflete no negócio e na experiência do consumidor? Tudo!

Apesar de andarem juntos, UX e UI ainda causam muita confusão no momento de entender suas diferenças. Considerados como prioridade para inúmeros negócios, é fundamental compreendê-los antes de aplicar o conceito na prática.

Para entender o que são esses conceitos e como utilizá-los no dia a dia, entrevistamos Luiz Gustavo, professor da Live University e Rodrigo Pitorri, UX e UI Designer na SmartMEI. Confira!

1 – Primeiramente, o que é UI (User Interface)?

Luiz – O significado do termo Interface do Usuário é muito antigo e nasceu junto com a era industrial. A preocupação da interface homem-máquina já existe há muito tempo e foi ampliada para corresponder a toda interação de algo com outra coisa.

É claro que com a explosão da computação ocupando todos os espaços, este assunto saiu da prancheta do desenhista industrial e veio a ser uma das sementes da criação da profissão do Designer.

A Gestáltica, (do alemão Gestalt, “forma”) que é uma doutrina que defende que para se compreender as partes é preciso, antes, compreender o todo, já trata do assunto da maneira como duas entidades (no caso homem-máquina) se interagem.

John Maeda, em “The Laws of Simplicity”, descreve que “(…) os psicologistas gestálticos acreditam que existe uma variedade de mecanismos dentro do cérebro que buscam a formação de padrões.”.

Portanto UI (User Interface) é a maneira pela quais comandos e dados são inseridos no computador e apresentado por este. A interface do usuário é a interface entre o computador e o ser humano. Ele é fornecido pelo sistema operacional ou pelos programas aplicativos e visa facilitar o trabalho do usuário com o computador.

A evolução da UI já está tratando até mesmo da interação entre duas máquinas, e já se fala em interação homem-robô, robô-robô, robô-máquina, robô-computador, etc.

Rodrigo – Interface do usuário é o meio por onde ocorre a interação entre homem e máquina. A troca de informação acontece através de um dispositivo, via sistema, site ou aplicativo.

2 – Com o passar do tempo as interfaces têm se tornado mais “user friendly” devido aos novos hábitos e exigência do consumidor. Nesse contexto, quais são as aptidões técnicas necessárias para um UI Designer?

Luiz – Aqui precisamos separar o UI Designer em duas categorias: o técnico e o de usabilidade. O UI Designer técnico estuda as diversas maneiras de apresentar uma interface focando nas características técnicas do device (PC, celular, tablet, relógio, etc), enquanto que UI Designer de usabilidade trata mais dos aspectos focados na arte destas apresentações.

Mas, sem dúvida, a principal aptidão para o UI Designer é sua capacidade de consideração da psicologia e da fisiologia dos utilizadores para tornar os sistemas mais efetivos, eficientes e satisfatórios. Está principalmente associada às características da interface do utilizador, mas também pode estar associada com a funcionalidade do produto.

Rodrigo – Entender a importância de UX (Experiência do Usuário); Desenhar interfaces que atendam as necessidades do usuário; Entender as necessidades do negócio; Trabalhar com grids e entender as condições técnicas para desenhar interfaces web responsivas, de interfaces de sistema e de APPs; Fazer do desenvolvedor seu melhor amigo. Mesmo que entenda de tecnologia, troque e alinhe ideias com seu colega da TI; Conhecer e trabalhar bem o conteúdo, a tipografia, cores, ícones, ilustração, fotografia, áudio, micro animação e os componentes de tela; Ter boa comunicação e saber apresentar bem o seu trabalho; E o básico, ter conhecimentos técnicos de ferramentas de design.

3 – O UX (user experience) e o UI (user interface) andam juntos, mas não são a mesma coisa. Nesse sentido, quais as principais diferenças entre ambos?

Luiz – De acordo com Don Norman, criador do termo, User Experience (UX) “(…) é a forma com que você experiencia o mundo, é a forma que você experiencia sua vida, um serviço, um aplicativo ou um sistema de computador, mas é o sistema que é o todo.”.

O mesmo Don Norman explica a diferença entre UI e UX: “It’s important to distinguish the total user experience from the user interface (UI), even though the UI is obviously an extremely important part of the design. As an example, consider a website with movie reviews. Even if the UI for finding a film is perfect, the UX will be poor for a user who wants information about a small independent release if the underlying database only contains movies from the major studios.”.

Isto é, uma boa UI pode definir muito bem uma série de páginas, telas, elementos visuais, botões, ícones, etc. Mas a UX vai além disso. A UX estuda e resolve toda a jornada entre o usuário e o produto, desde o início de como o usuário descobre o produto, até o seu sentimento ao utilizá-lo. Ou seja, por mais excelente que seja a Interface é sempre muito importante entender que a experiência (UX) vai além do que o usuário vê.

Rodrigo – Ambos devem ter a mentalidade empática de trabalhar soluções de problemas para a necessidade do usuário, porém há algumas diferenças entre elas:

  • UI é uma disciplina tática e UX estratégica.
  • UI é racional, UX é comportamental.
  • UI é visual e UX é planejamento.
  • UI é uma parte dentro do processo de UX.

4 – Partindo do princípio que para projetar uma interface o UI Designer precisa conhecer e entender as necessidades do cliente, qual é o mindset necessário? Nesse contexto, quais as responsabilidades de cada profissional? 

Luiz – A principal responsabilidade de ambos os participantes é fazer-se entender, utilizando técnicas e boas práticas. O Mindset do designer é tentar obter o máximo de informações daquele que será o usuário da solução, bem como seus costumes e necessidades.

Rodrigo – Mindset empático com olhar para o usuário, procurando entender suas necessidades.

Vejo também que a mentalidade de crescimento faz muito sentido para quem trabalha com produto, onde o aprendizado em relação às necessidades do usuário é uma busca diária. Este mindset é comum em pessoas que gostam de novos desafios, que ao encontrar uma dificuldade irão se empenhar a aprender com ela, típico de pessoas que se apaixonam por um problema e o encaram ambiciosos por encontrar uma solução.

5 – Hoje em dia os usuários têm telas praticamente em qualquer lugar. Em meio a isso, existe a discussão de que as telas e suas interfaces tomaram conta de nossas vidas, dando margem ao conceito “No-UI”, mostrando como podemos construir um mundo tecnologicamente avançado sem interfaces digitais. Qual a sua opinião a respeito disso?

Luiz – O ser humano nasce com uma forte característica semiótica, isto é, o entendimento por símbolos e, isto, está se tornando cada vez mais presente na rotina das pessoas. Muitas outras interfaces digitais estão sendo construídas.

Rodrigo – A tecnologia está lendo e interpretando as necessidades do homem cada vez mais, oferecendo soluções ao usuário de forma inteligente e espontânea. A forma não tradicional que mais tenho visto ser explorada hoje em dia é a de interação por voz. A inovação tecnológica é válida e positiva, desde que a informação coletada seja trabalhada de forma ética, profissional e consensual.

6 – Quais as novas interações que a realidade virtual pode trazer para a UI?

Luiz – Muitas interfaces novas estão sendo desenvolvidas, como auditivas, táteis e sensitivas.

Rodrigo – Hoje o produto exige menos da atenção visual do usuário e a interação ocorre de forma “transparente”, ou seja, a inteligência por trás do produto entrega soluções às necessidades do usuário em função da leitura de seus hábitos cotidianos. Exemplo recente ocorrido em 2019: eu estava em um ponto de ônibus conversando com um colega de trabalho, comentando que precisava levar minha mochila para trocar o zíper, pois estava quebrada. Após alguns minutos, peguei meu celular para me distrair um pouco e para minha surpresa (ou não), o Google estava sugerindo a localização de três costureiras próximas a mim na região, sem que eu houvesse buscado pela informação.

7 – Para quem quer começar na carreira, quais dicas você dá para se tornar um bom designer de interface?

Luiz – Para começar uma carreira na área, o profissional deve se preocupar com: Dar fácil entendimento e familiaridade ao utilizador; Interfaces consistentes e padronizadas; Reação normal (sem surpresas) para o Usuário (natural); Dar fácil recuperação e retorno; Interfaces intuitivas; Solicitação de confirmação para situações mais problemáticas; Interfaces configuráveis, cooperativas e direcionais.

Rodrigo – Leia. Estude, há uma competição acirrada no mercado em relação a ferramentas de design de interface e esteja contemporâneo em relação a elas. Não é preciso saber todas, mas entenda qual poderá te auxiliar melhor em relação às suas necessidades no trabalho. E pratique muito. Teoria é importante, mas colocar em prática é fundamental. Redesenhe casos, faça produtos piratas, trabalhe “freelas”, exerça atividades paralelas, se desafie a desenhar sempre algo melhor e mais condizente com as necessidades de uso.

Quando a oportunidade de trabalho aparecer, você estará passos a frente e terá condições de agarrar boas oportunidades. E fuja das tendências e modismos de design. Encontre a solução para seu problema. Não há fórmula mágica.

8 – Quais são as perspectivas para o futuro em relação à UI?

Luiz – O trabalho de designer de interfaces não é para qualquer pessoa. Aprender os conceitos e utilizar ferramentas não tornará uma pessoa um bom designer visto que sua atuação é muito mais cognitiva do que procedimental. O mundo está se abrindo para a interação digital em todos os sentidos e meios e o designer deverá saber traduzir tudo isto.

A cada nova descoberta um novo mundo de relacionamentos estarão presentes. Acredito que teremos especializações na área de designer de interfaces por causa das variedades e desafios. Mas, uma coisa é certa, sem colocar o ser humano no centro, não teremos o sucesso esperado.

Rodrigo – O mercado de tecnologia muda constantemente e de forma rápida. Não creio que as formas tradicionais de interação deixem de existir, mas haverá cada vez mais outras formas de interação entre o homem e a máquina, disso não tenho dúvidas. Fiquemos atentos e atualizados como profissionais para acompanharmos as necessidades do mercado e oferecermos cada vez mais soluções em função das necessidades de nosso usuário.

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