O que é Supply Chain

Supply Chain: entenda como funciona e qual o papel estratégico da área

O Supply Chain atua de forma estratégica influenciando todas as pontas da cadeia de suprimentos, desde a programação dos fornecedores até a satisfação do cliente. À medida que o setor se desenvolve, os desafios de entendimento e gestão dos processos com as novas tecnologias crescem na mesma proporção.

Neste texto, vamos retomar alguns fundamentos para esclarecer o momento atual da área e entender, afinal, como o Supply Chain funciona na prática.  

O que é Supply Chain?

O Supply Chain, ou Cadeia de Suprimentos em português, não se limita ao relacionamento com o fornecedor, na verdade, é um conjunto de operações que abrange desde o S&OP até a logística reversa.  

De modo geral e macro, Supply Chain é o processo que nasce no S&OP e termina na logística reversa de uma operação. Isso significa que vai desde a definição sobre o abastecimento do fornecedor até a devolução de componentes pelo cliente.

O termo foi cunhado pelo consultor de negócios Keith Oliver, em 1982, em uma entrevista cedida ao jornal Financial Times. E nasceu da necessidade de controlar todas as movimentações de compras e logística, com o objetivo de satisfazer os requisitos do cliente de uma forma mais eficiente e unificada, superando as expectativas.

Davi Carvalho, professor da Live University, define Supply Chain como um “conjunto de processos dentro da operação que foram catalisados em uma única solução chamada Supply Chain”. Ele explica que as áreas precisavam trabalhar sob uma mesma direção com um objetivo com comum, olhando para um mesmo horizonte que é o cliente final. 

Em nível operacional, entre as duas pontas (fornecedor e cliente) nós encontramos as seguintes operações: S&OP, Programação Operacional, Recebimento, Estocagem e Armazenamento de componentes e produtos, Entrega ao cliente e Logística Reversa. Em nível tático, entre a alta direção e a operação, há o processo de gestão e de inteligência de todas as etapas da Cadeia de Suprimentos.

Aqui poderíamos até incluir o conceito de Omini-Channel Management, que trata da gestão sinérgica dos mais diversos canais e pontos de venda para elevar a satisfação dos clientes. Conceito que ganhou muita força no varejo, tem convergido sob a responsabilidade da área de Supply Chain, mas possui uma forte conexão com as áreas de Inteligência de Mercado, Vendas e Marketing, por isso abordaremos em outra oportunidade.

Supply Chain x Logística x Compras

A área de Logística é responsável pelos volumes e prazos, ou seja, quanto e quando. E seu maior interesse é a eficiência da operação para satisfazer as necessidades dos clientes. Podemos dividir as operações logísticas em logística interna e logística externa.

A logística interna define as pessoas envolvidas nos processos e produtos, e por isso está mais próxima do cliente. Já a logística externa se dedica aos fornecedores, ficando responsável pela primeira etapa de toda cadeia logística.

Com foco muito mais voltado para operação, a logística está perto de vendas e da última ponta da operação que é o cliente, direcionada para atender suas necessidades diárias. Diferente de Compras que está na outra ponta da Cadeia de Suprimentos e atua com a engenharia, suporte e desenvolvimento de novos produtos.

A área de Compras desempenha um papel mais estratégico do processo e sua grande preocupação é com o custo de todo processo até a entrega final para o cliente.

“Embora o cliente seja uma preocupação para todos os envolvidos da cadeia de suprimentos, Compras tem uma visão de manter a rentabilidade da empresa, ao passo que Logística olha mais para a sustentabilidade e os custos internos, pois busca atender os volumes prometidos para o cliente”, afirma Davi.  

A área recebe da logística a demanda, negocia o preço, faz o pedido além de se relacionar com outras áreas da empresa. Por isso, o foco de Compras está na rentabilidade da área, novas demandas de produtos na parte de criação. E de um ponto de vista amplo, já o Supply Chain, ou SCM (Supply Chain Manegement), é toda a cadeia de suprimentos que envolve Compras e Logística.

Ou seja, a principal diferença entre eles está no fato de que Compras é a primeira ponta da cadeia ligada ao produto, logística ganha um direcionamento operacional voltado para última ponta da cadeia que é o cliente e ambos integram o Supply Chain. E o fator com um peso igual e nivelado para todas essas áreas? Custo! Pois qualquer movimentação vai custar para todos os elos ligados à cadeia de suprimentos. 

Vale ainda ressaltar que a atuação do Supply Chain se configura de formas diferentes de acordo com cada tipo de indústria, seja ela de bens de produção, capital ou consumo. Cada uma delas pode ser olhada com uma perspectiva diferente.

Portanto, é preciso avaliar atuação, interesses e a estratégia do negócio para estabelecer uma estrutura, relação entre as áreas de SCM, Logística e Compras, tamanho e qual importância que será dada a cada uma delas.

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Indicadores de Supply Chain

Conhecer bem o processo é fundamental para definir os indicadores que são o principal meio de entender se o objetivo está sendo alcançado. Por isso, processos, indicadores e objetivos caminham juntos para  superar a expectativa do cliente no menor custo total, utilizando a capacidade máxima dos meios de produção. Os indicadores de Suply Chain mais conhecidos são: 

OTIF – On time in full, indicador de atendimento ao cliente, indica que a entrega está sendo feita no prazo, na quantidade e com a qualidade esperada;

TCO – Custo total da operação, indica os gastos da operação, desde os gastos com programação de fornecedores até entrega para o cliente;

OEE – Overaal Equipament Efective, visão geral da efetividade do meio produtivo, principal indicador para medir eficiência global e indica que o produto é bom.

Em linhas gerais, o OTIF indica se a satisfação do cliente está sendo atendida, o OEE revela que você está conseguindo extrair a máxima utilidade dos recursos produtivos com qualidade.

E o TCO indica que os custos das produções estão dentro do esperado, o que aumenta a rentabilidade da empresa, preservando o cliente, extraindo o máximo dos investimentos com a máxima rentabilidade.

Principais desafios e barreiras

Independente do segmento, o sincronismo dos tempos é um dos principais desafios do Supply Chain. Ele mostra o quanto a empresa é capaz de cumprir os prazos, manter os processos no tempo correto como alinhamento entre as áreas, fluxo correto de informação, armazenamento e entrega para o cliente.  Todas essas operações precisam funcionar em harmonia para que a operação seja de fato eficiente.

Outra dificuldade enfrentada pela área é o sincronismo dos volumes, quando não há escassez de matéria-prima e produtos estocados. Falhar nesse controle significa causar uma ruptura da Cadeia de Suprimentos e impactar na satisfação do cliente final. 

Além do sincronismo de tempo e de volume, a falta de expertise para o mapeamento dos processos representa uma barreira para diversas empresas. Para implementar as novas tecnologias como Big Data, Block Chain, Cloud, falta competência e maturidade para definir quais ferramentas são mais adequadas ao processo.

A terceirização também é um fator crucial para que operação aconteça de forma sincronizada e mais econômica possível. É preciso ter uma boa articulação com todos os envolvidos para assegurar entrega no prazo, com quantidade certa e menor custo possível. De nada adianta ter um produto brilhante, se a entrega não for bem sucedida.

É importante considerar que todos desafios acabam sempre apontando para o cliente. É indiscutível que o poder de decisão do cliente final tem crescido exponencialmente, além de ser uma das razões que torna o Supply Chain não só estratégico, mas extremamente importante para todas as empresas.

Veja mais em: Supply Chain 4.0

 

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