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Open Banking no Brasil: entenda a mudança no mundo financeiro e os impactos nos bancos e fintechs

Na tradução literal Open Banking significa “banco aberto” ou “sistema bancário aberto”. Esse novo movimento financeiro vai permitir que o consumidor final movimente suas contas a partir de diferentes plataformas e não só pelo aplicativo do banco. Nunca mais mudar de banco será um processo burocrático!

Dados valiosos de inúmeros clientes deixarão de pertencer somente a uma instituição financeira. Partindo do ponto de vista dos bancos e fintechs, haverá uma oferta de produtos e serviços financeiros personalizados para cada perfil graças ao compartilhamento de dados acessíveis via APIs. 

No entanto, como ganhar vantagem competitiva em um mercado já concorrido, garantir a segurança dos dados compartilhados e encontrar novas oportunidades para fidelizar o cliente?

Entrevistamos especialistas em Open Banking de diferentes instituições financeiras para compartilhar sua visão acerca do tema. Confira a matéria com a participação de Alessandra Machado, Patrick Salomão e Guilherme Oliveira.

1 – Considerando que os serviços oferecidos pelas fintechs são inovadores, qual será o principal desafio dos bancos tradicionais? Como ganhar vantagem competitiva frente a instituições que também se apropriarão dos dados para oferecer melhores ofertas?

Guilherme – Os bancos olham para o O.B de duas maneiras. A primeira atende as necessidades do regulador (que as fintechs não estão submetidas às mesmas regras) e que irá facilitar o controle e a troca de dados dos clientes dando a ele uma transparência maior, mas também irá facilitar o acesso a algumas informações estratégicas pela concorrência.  Na outra ponta, o fato de poder conectar informações e serviços através das APIs às jornadas do banco, fará com que a proposta de valor aumente e que muitos dos serviços que atualmente são oferecidos pelos bancos sejam simplificados. 

Patrick – É natural que instituições de menor porte consigam se adaptar rapidamente às necessidades dos clientes e construir jornadas com foco na experiência do usuário. Prevejo uma commoditização dos serviços financeiros com o aumento da concorrência, e o maior desafio dos bancos incumbentes é exatamente conseguir grande parte do market share no que tange o fornecimento de dados via API. Os pilares mais importantes para conquista do mercado de fornecimento serão: otimização da precificação dos serviços (no caso, as APIs), excelência na DX (developer experience) no Portal do Desenvolvedor (documentação de API bem escrita e detalhada, com exemplo de casos de uso), e por último, capacidade técnica para suporte de todas operações com menor índice de erros.

Em síntese, o sucesso dos bancos tradicionais no nascente ecossistema será resultado da construção de APIs bem documentadas, com preços competitivos e menor número de falhas, somado ao aproveitamento do recebimento de dados através de produtos capazes de competir com a experiência das fintechs.

Alessandra – Os bancos tradicionais deverão mudar a sua mentalidade e criar propostas de valor atrativas para o seu cliente. O compartilhamento de dados dos usuários permitirá às instituições participantes do Open Banking a serem mais assertivos ao oferecer produtos para clientes em potencial. Além disso, os grandes bancos, também, poderão oferecer APIs como serviço para bancos menores, monetizando-as e transformando-as em produtos realmente rentáveis.

2 – Qual a importância do Customer Centric com a chegada do Open Banking no país?

Guilherme – O design centrado no usuário é algo fundamental para a sobrevivência das empresas atualmente. Quem dita essa regra não somos nós do segmento financeiro, mas sim os provedores de redes sociais, conteúdo, entre outros.

Nós nos tornamos seguidores destes players quando o assunto é experiência do usuário.  Fatores como velocidade, disponibilidade, baixa fricção, jornadas simples e amigáveis, com a chegada do Open Banking estarão mais acessíveis, pois se fizermos uma analogia à caixa de ferramentas dos bancos ganha novos componentes, visto que muitos deles estão ainda restritos aos seus sistemas legados e por mais que conheçam as necessidades dos clientes, não conseguem entregar a experiência da maneira ideal. 

Patrick – O Open Banking é a materialização da tendência customer centric no Brasil, uma vez que ele empodera o cliente com um cenário mais competitivo e que permite maior controle de suas finanças. A facilidade de migração de plataformas pelo cliente torna necessária a constante adaptação de todos os participantes do Open Banking com o oferecimento dos melhores produtos e serviços com preços competitivos, sendo o cliente o principal beneficiário do Open Banking.

Alessandra – O modelo Open Banking contribui para melhorar a experiência do cliente desenvolvendo um novo modelo de negócio ainda mais centrado no cliente, onde o consumidor é o proprietário dos seus dados pessoais, cabendo a ele escolher o que fazer com esses dados. Isso permite empoderamento ao consumidor que terá acesso a serviços financeiros mais adequados ao seu perfil.

3 – Como garantir Segurança da Informação em um ambiente de APIs abertas? Ainda que bem estruturado possíveis fraudes, roubos de identidade e hacking estão suscetíveis para o Open Banking? 

Guilherme – Sim, os riscos são altos.  Mas o Brasil infelizmente tem fraudadores muito criativos, e as diferentes investidas em fraudar tornou o nosso Sistema Financeiro robusto e com instrumentos de segurança que são referência mundial.  O nosso país não tem uma cultura de confiança estabelecida como em U.K ou USA, dessa forma as entidades atuam como certificadores, e para exercer esse papel os elementos de segurança precisam estar bem estabelecidos. Eu não imagino que os desafios estão em relação a como se proteger, mas sim a quem irá aplicar os mecanismos de proteção.  Temos os controladores e os operadores de dados, e esses papéis por vezes irão se misturar. Dessa forma o desafio é entender quem deverá liderar as camadas de segurança, sem perder o foco da experiência do cliente.

Alessandra – Quando falamos em segurança de informação com APIs abertas, existem vetores de ataques que devem ser levados em consideração, são eles:

– Parâmetros: aqueles que exploram os dados que são enviados para a API onde os criminosos virtuais fornecem dados à API que alteram o seu comportamento;

– Identidades: os ataques exploram falhas de autenticação e autorização de uma sessão;

– Intermediários: exploram dados desprotegidos ou não criptografados.

Esses riscos são fortemente reduzidos com um API Management que possui uma estrutura de proteção e criptografia de dados já pronta, mecanismos como filtragem de IP, chave e token, além do gerenciamento de recursos. Isso tudo somado a uma infraestrutura de rede que pode ajudar a mitigar outros tipos de ataques, como os de negação de serviço.

Além disso, deve ser levado em consideração a implementação de uma política de segurança cibernética que assegure a confiabilidade do processo de compartilhamento de dados, atenda as disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e garanta as exigências previstas na regulação do Open Banking.

4 – Quais são as oportunidades desse movimento financeiro para as instituições financeiras?

Guilherme – Após o Covid, nós entramos em uma “low touch econony”, com isso as plataformas digitais estão crescendo e os clientes estão aderindo cada vez mais esse modelo de consumo. Dessa forma, os bancos tem a possibilidade de atender diferentes necessidades dos clientes a partir das funções mais básicas que uma instituição financeira pode oferecer, que é pagar e receber, podemos ver a corrida do super app, todos querem ser o Wechat ou Alipay que concentra tudo o que você precisa em um único lugar. 

Além das novas jornadas, da simplificação na oferta dos serviços, acredito que para os bancos a possibilidade de rentabilizar de maneira diferente é outro fator importante, pois com o aumento dos competidores nativos digitais, as margens estão sendo comprimidas, além da desintermediação de novos entrantes que não são do segmento financeiro, mas que já atendem importantes necessidades dos clientes.

Patrick – A principal oportunidade dos bancos e outras IFs – além da criação de um novo canal de vendas B2B (Portal do Desenvolvedor) – está na criação de novos modelos de negócio e expansão das jornadas atuais.

Serviços que no momento anterior ao Open Banking não eram ofertados, podem ser criados e compartilhados através do Portal do Desenvolvedor. Por exemplo: o banco pode disponibilizar seu mecanismo de autenticação – da mesma forma que atualmente o usuário faz login em outras plataformas através do Facebook, ele poderia utilizar seus dados de cadastro no banco, que são mais confiáveis, para entrada automática de seus dados.

Alessandra – O banco deve desempenhar um papel protagonista na reengenharia do conceito de identidade, abrindo a oportunidade para se aventurar em novos modelos de negócio que até agora não faziam sentido. O Banking as a Service (BaaS) é um modelo que possibilita instituições financeiras, através de parceiros de negócios, à  ofertar uma série de serviços bancários de forma digital, à consumidores que, até então, não tinham acesso à um banco. Os parceiros de negócios que podem ser fintechs ou até mesmo bancos, ao invés de atuarem como concorrentes formam parcerias com o objetivo de disponibilizarem os serviços de forma ágil, menos burocrática, além de alavancarem os resultados umas das outras. É um negócio vantajoso para todos os envolvidos, que impulsiona transações frutíferas e permite ganhos de escala.

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