Linguagem corporal: pare de cruzar os braços para oportunidades

Raffael Lodo

Raffael Lodo

Neste artigo, definiremos o que significa linguagem corporal e como você pode aplicá-la e interpretá-la para entender melhor as pessoas e se comunicar com elas de maneira mais eficaz, seja em uma entrevista de emprego, em uma reunião, um debate ou em qualquer outra situação do dia-a-dia. Afinal, você pode estar perdendo diversas oportunidades incríveis em sua vida sem nem perceber.

É importante dizer que o estudo da linguagem corporal vai muito além de cruzar as pernas ou braços. Dentro do nosso corpo existem diversas transformações acontecendo a todo instante, enquanto nossas linguagens e expressões mudam e se adaptam às situações e ao ambiente que estamos inseridos.

Apesar de a linguagem corporal e as expressões faciais serem algo básico e essencial para a comunicação entre os seres humanos desde os primórdios da vida na terra, muitas pessoas ainda deixam de dar a devida atenção ao tema, justamente por serem reações pessoais, intuitivas e instintivas desde que nascemos. Por isso, é esperto quem estuda a linguagem corporal, utilizando-a a seu favor, tanto na vida pessoal como profissional. Uma ótima descrição sobre essa questão foi dada pela frase da famosa escritora e psicóloga social americana Amy Cuddy: “Nossas mensagens não verbais definem o que as outras pessoas vão achar de nós”.

Entrevistamos Alexandre Monteiro, especialista em decifrar pessoas, para nos ajudar a entender melhor algumas questões sobre o tema. Confira abaixo!

1 – Primeiramente, o que é a linguagem corporal e qual a sua importância para a comunicação?

A linguagem corporal é aparência, postura, gestos, expressões faciais, olhares e como você cumprimenta as pessoas com quem interage. As últimas pesquisas provam que a linguagem corporal é fundamental para a eficácia da liderança e com ela podemos aperfeiçoar a capacidade de negociar, gerar confiança, credibilidade, carisma e promover colaboração.

No mundo dos negócios, as primeiras impressões são demasiado importantes para deixar ao acaso. É a primeira impressão que vai influenciar todo o processo de liderança, uma vez que alguém o rotula como “Amigável” ou “Ameaça”, “Poderoso” ou “Submisso”, tudo o que faça ou diga vai ser visto através destes filtros.

A imagem que os outros têm de você é, na maioria das vezes, avaliada pela forma como anda, como fala com o corpo ou por expressões faciais decorrentes. Quando a linguagem corporal não coincide com as palavras, a maior parte da mensagem está perdida.

Saber interpretar a linguagem corporal pode lhe permitir ter uma vida melhor, ter o emprego desejado, fazer bons ou maus negócios, falar em público com sucesso, conseguir seduzir a mulher ou o homem da sua vida, compreender e comunicar melhor com os filhos e ainda ganhar mais dinheiro.

2 – O que envolve o estudo da linguagem corporal?

Decifrar pessoas através da linguagem corporal partilha um processo de aprendizagem semelhante ao estudo de um idioma: terá de aprender primeiro os sinais mais simples e importantes e os seus possíveis significados e só depois poderá começar a juntá-los para poder fazer uma leitura mais precisa. Lembre-se de que um gesto, movimento ou expressão facial poderá ter vários significados e depende do contexto em que decorre.

Podemos dividir os sinais não verbais em cinco categorias:

  1. Símbolos — Movimentos usados em vez de palavras com significado facilmente percetível (por exemplo, dizer OK levantando o polegar para cima).
  2. Ilustradores — Movimentos que acompanham a fala para ilustrar o que se diz (por exemplo, contar até quatro e mostrar os quatro dedos). Qualquer tipo de movimento corporal que desempenha um papel auxiliar na comunicação não verbal é um ilustrador.
  3. Reguladores — Movimentos relacionados com a função da fala e da audição e que indicam as intenções (por exemplo, acenar com a cabeça, olhar mais intensamente, mudar de postura); gestos que regulam a interação; movimentos feitos por quem fala ou por quem ouve com a finalidade de demonstrar atenção, interesse ou domínio.
  4. Pacificadores — Movimentos que servem para se acalmar em situações de desconforto ou de nervosismo (por exemplo, tamborilar com os dedos, afastar o cabelo, brincar com um anel).
  5. Indicadores — Movimentos semelhantes aos ilustradores, no sentido em que também acompanham as palavras, mas que diferem num aspecto: refletem o estado emocional em que se encontra a pessoa no momento (por exemplo, conforto, desconforto, ansiedade, medo, fuga).

Para decifrar uma pessoa não é necessário ver mais, mas sim ver melhor. É estar atento aos sinais e compreender os possíveis significados e qual o gatilho que desencadeou esse mesmo sinal.  Decifrar pessoas é fazer a leitura dos sinais não verbais diretamente ligados ao indivíduo, como a linguagem corporal, as expressões e o tom de voz, conjuntamente com os sinais não verbais indiretamente ligados ao indivíduo, como o ambiente em que se insere, seja o escritório, a casa, o carro, o local de trabalho ou a manipulação de objetos.

Biologicamente, uma parte da linguagem corporal é controlada pelo nosso sistema límbico, responsável pelos sentimentos e emoções. A outra parte, pelo sistema reptiliano, a parte mais primitiva do cérebro que controla as funções corporais e regula as necessidades de sobrevivência, como o bater do coração, a respiração, a digestão, os perigos iminentes e a reprodução, funcionando de forma independente ao neocórtex.

Estes dois sistemas conhecem-nos melhor do que nós e são as partes do cérebro responsáveis pelo que sentimos, pela avaliação e concretização das respostas quando estamos em perigo ou desconfortáveis, aproximando-nos do que gostamos, afastando-nos do que não gostamos ou do que nos ameaça. Ambas as partes têm a sua quota de responsabilidade na emissão de impulsos elétricos para todo o corpo, de modo a gerar as expressões faciais, os gestos e os movimentos.

O estudo da linguagem corporal não é uma ciência exata, foca-se no estudo da comunicação não verbal, analisando as expressões faciais, os gestos, tom de voz, velocidade, volume, conjunto de movimentos e posturas, decifrando-os o mais exatamente possível, mediante o contexto para descodificar os possíveis significados de cada um desses sinais não verbais.

O corpo reflete os pensamentos e traduz em gestos, posturas e expressões faciais os verdadeiros sentimentos das pessoas. Revela, ainda, a sua verdadeira personalidade, intenções, graus de ligação, emoções, interesses e até a posição que ocupam numa conversa. Não querer ver ou não dar importância a estes sinais do corpo é perder uma grande parte da mensagem mais verdadeira e secreta das pessoas.

3 – Existem partes do corpo que expressam mais emoção e reação, sendo assim mais fáceis de analisar? Quais?

Antes de responder qual a área do corpo que emite sinais mais honestos, deixo-lhe esta técnica para melhorar a memória e a retenção de informação em 38%: descruze os braços e as pernas quando ouve ou lê.

As pernas, os pés, os braços, as mãos e os dedos são os responsáveis pela execução dos estímulos do cérebro: desde paralisar, fugir e lutar aos instintos mais primitivos de resposta à interpretação dos acontecimentos externos. Têm ainda como responsabilidade as demonstrações territoriais de domínio e o afastamento de possíveis ameaças. Vejo os membros como a linha da frente, ou seja, a proteção, a ligação, a luta ou a conquista dos nossos sentimentos, pensamentos e desejos mais profundos.

As pernas e os pés são as partes do corpo que emitem os sinais mais honestos do nosso corpo, dada a maior distância do cérebro. Controlamos melhor conscientemente as palavras, as expressões faciais, os braços e as mãos do que propriamente as pernas e os pés. Quando me refiro às pistas de interesse, domínio ou tensão, acredito mais nas mensagens dadas pelos pés do que pelas palavras, porque estas são mais fáceis de manipular.

4 – A fim de evitar preconceitos na tomada de decisão, como saber quando estamos julgando uma pessoa e não simplesmente analisando uma linguagem?

Se gostarmos ou não de uma pessoa, isso não pode interferir na leitura da sua linguagem corporal, portanto, é fundamental que você esteja consciente de todos os estereótipos, de forma a evitar preconceitos antes de iniciar a leitura da linguagem.

Se você observar uma pessoa com tatuagens e piercings e outra vestida com terno e gravata, por exemplo, em quem você depositaria mais confiança? Qual o mais competente? O mais honesto?

Se você optou por um dos estilos, caiu na armadilha inconsciente dos julgamentos predefinidos, porque nada nos estilos dá a certeza de honestidade, desonestidade, profissionalismo ou competência. Prefiro acreditar que é o resultado da educação, das experiências prévias e do que lhe disseram que seria certo ou errado desde a infância. Às vezes, os preconceitos trabalham a nosso favor, outras podem funcionar contra. Não faça julgamentos predefinidos com base em experiências e crenças anteriores.

5 – Sabemos que certas manias corporais e expressões faciais decorrentes de nervosismo ou estresse podem ser muito ruins para certas ocasiões e objetivos. O que define uma linguagem corporal negativa e quais os principais sinais?

De modo geral, há muitos tipos de movimentos que denunciam uma linguagem não verbal negativa, como roer as unhas, mexer no cabelo, ter uma caneta na mão e estar constantemente a mexe-lá, pegar em objetos, bater com os dedos ou com os pés, brincar com coisas ou situações desnecessárias, mexer em acessórios pessoais e etc.. Todos esses exemplos são indicadores de nervosismo e falta de controle, cujo além de irritar e distrair as pessoas com que estamos a interagir também diminuem muito as nossas possibilidades de sucesso.

6 – Para fechar, você poderia nos dar algumas dicas importantes para causar uma boa primeira impressão?

  • Contato visual

Em regra geral, o contato visual direto deve ser efetuado durante 60% a 70% do tempo numa conversa, aumentando-o ligeiramente quando fala e minimizando enquanto ouve.

Para quem tem mais dificuldade, quero partilhar uma técnica simples para melhorar o contato ocular ausente, experimente no inicio da conversa observar a cor dos olhos da pessoa com quem interage e depois volte ao seu modo habitual de olhar nos olhos.

  • Aperto de mão

O toque é a forma não-verbal mais primitiva e mais poderosa. No local de trabalho, a credibilidade e ligação são estabelecidos inconscientemente através da tradição do aperto de mão, e este contato é responsável por uma impressão duradoura e positiva e influencia a forma como a interação irá decorrer.

Um estudo sobre apertos de mão mostrou que as pessoas são duas vezes mais propensas a lembrarem de si e a reagir de uma forma mais amigável, se lhes apertar a mão. Se você adicionar uma única palavra ao nome da pessoa durante o aperto de mão, o impacto pode ser ainda mais duradouro e positivo.  Exemplo “Muito prazer, Nome da pessoa”.

  • Fale com as mãos

Os gestos estão ligados à fala, enquanto fala, gesticule de forma a exemplificar e dar mais poder e significado às palavras. Senão o faz, as palavras que verbaliza vão ser percebidas como menos credíveis e menos sentidas.

Falar com as mãos faz com que o conteúdo verbal melhore, o discurso seja menos hesitante, evita os enchimentos verbais como “humm” e “hamm” e ajuda a formar e a verbalizar pensamentos mais claros.

Os movimentos das mãos devem ser entre a cintura e os ombros, relaxados, mostrando as palmas das mãos para demonstrar mais credibilidade e sinceridade.

  • Cuide da postura

A postura reflete o nível de atitude e energia da pessoa. Quanto mais encolhido estiver, maior será a perceção de que a pessoa tem pouca atitude, um baixo nível de energia, pouca confiança em si mesma e/ou carece de liderança.

Uma líder “não tem medo” e deve saber demonstrar isso, adotando posturas abertas e acolhedoras. Braços abertos com as mãos visíveis, os pés à distância de ombro um do outro, gestos amplos com as mãos, ombros para trás e costas direitas.

Braços cruzados, pernas cruzadas, mãos à frente dos genitais, mãos nos bolsos e olhares para baixo são vistos como gestos de submissão, medo ou insegurança, logo não os faça.

Quanto às posturas cruzadas, estas impedem uma comunicação fluída e a capacidade de retenção de informação. As posturas cruzadas funcionam como barreiras invisíveis e fazemos porque ainda não confiamos ou gostamos o suficiente da pessoa com quem estamos a interagir. Ter posturas abertas incentiva à comunicação, demonstra confiança, credibilidade e liderança.

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