ilustracao com entrevistado sobre líder na era da transformação digital

Liderando na era da Transformação Digital: você está preparado?

Parece que faz mais de um século o dia em que eu, há apenas 25 anos, tive a chance de acessar pela primeira vez um computador conectado à internet, sendo um dos primeiros brasileiros a ter esta oportunidade no país. A título de curiosidade, nesta época se navegava com um browser chamado Netscape, a primeira anunciante a patrocinar banners online era uma livraria recém-inaugurada de Seattle chamada Amazon.com, e não havia celulares fora dos círculos militares.

Neste ano de 2020, os avanços tecnológicos nos permitem até mesmo ter a chance de pela primeira vez na história da humanidade acompanhar e gerenciar a progressão de uma pandemia viral (coronavírus) com estatísticas e dados em tempo real ao redor do mundo via modelos de big data, bem como assistir a construção de hospitais completos para centenas de leitos em dias, comprar comida com alguns cliques, e muito mais.

É um momento histórico em que fica até difícil intuir aonde a tecnologia poderá nos levar nos próximos 25 anos por vir. Um gigantesco desafio para os profissionais de Inteligência de Mercado e suas predições e análises.

Mas por outro lado, esse rápido avanço leva a uma questão essencial para o futuro das organizações, governos e ONGs: como liderar com eficiência em um ambiente de tamanhas complexidades e ser um genuíno líder na era da Transformação Digital?

Conforme dados do Fórum CEO Brasil em pesquisa realizada com 40 dos principais CEOs brasileiros, 76% acreditam vivermos um “apagão de talentos” em nossa nação. Somente 11% destes entrevistados afirmam que suas companhias são preparadas e atrativas para os nativos digitais, sendo que 57% deles acreditam que seu principal desafio é desenvolver líderes em todos os níveis da organização. Em 30% das respostas, os CEOs admitem não possuir lideranças com o correto grau de preparo, enquanto 46% calculam contar com líderes somente em postos-chave.

Adicionalmente, segundo dados divulgados pela Sysorex (empresa americana especializada em análise de dados), 90% dos dados gerados existentes no mundo foram gerados nos últimos 2 anos – principalmente por intermédio de 7 bilhões de smartphones e dos 11 bilhões de devices conectados (internet das coisas). Já são processados, por exemplo, cerca de 17 bilhões de dólares em transações de cartão de crédito por dia. E são realizados mais de 1 bilhão de posts por dia somente nas redes sociais Facebook e Instagram, da Facebook Inc.

Ou seja, a Transformação Digital da sociedade não somente já é um fato, mas se acelera exponencialmente conforme preceitos da lei de Moore, e os executivos em quaisquer esferas organizacionais precisam estar para ela preparados. Particularmente os profissionais de IM, uma vez que muito do que é feito para o planejamento adequado das organizações e das áreas de Marketing e Vendas deles depende.

A liderança na era da Transformação Digital é muito mais um desafio de gestão que um desafio tecnológico, que demandará a dedicação de recursos e tempo para a obtenção de resultados superiores no curto prazo. Implementar estas mudanças possui elevado grau de dificuldade, mas não implementar não constitui uma opção viável. Segundo Ranjit de Souza, presidente da consultoria Lee Hecht Harrison – líder global em desenvolvimento de talentos e seleção de altos executivos – o maior desafio das empresas no processo de Transformação Digital é a relação humana.

De acordo com a pesquisa “Tendências de Capital Humano Globais” da Consultoria Deloitte, para serem eficientes no século XXI os líderes precisam adotar uma abordagem equilibrada entre a busca de desafios de negócio através das práticas tradicionais e o novo contexto em que estes resultados serão obtidos, utilizando-se para isto de competências críticas e inovadoras de gestão: liderança em ambientes de contínua mudança, aceitação da ambiguidade e diversidade, e profundo conhecimento de tecnologias digitais, cognitivas e baseadas em inteligência artificial. Especificamente na área de IM, conhecimentos adicionais nos campos de big data e estatística são essenciais.

Neste contexto, recentemente a renomada consultoria de gestão estratégica McKinsey & Co. realizou um painel muito completo sobre o nível de maturidade digital das empresas no país, no qual foram entrevistadas 124 companhias de grande e médio porte de diferentes setores econômicos. Neste painel, foram analisadas melhores práticas de gestão em quatro dimensões fundamentais: estratégia, capacidades, organização e cultura.

Com base neste estudo e em minha própria experiência profissional liderando processos de transformação digital em diversas organizações nacionais e multinacionais, acredito que o líder na era da Transformação Digital precisa ao menos estar qualificado nas seguintes competências:

1. Capacidades digitais básicas e conhecimento das novas tecnologia

Não há como ser um líder na era da Transformação Digital sem conhecimentos mínimos de disciplinas como processos ágeis (lean, scrum, kanban…) e a atuação em squads multifuncionais, inteligência artificial e machine learning, dados e analytics (mentalidade baseada em dados), automação de processos e robotização, user experience e jornadas do cliente, e-commerce e digital marketing, dentre outras. Estes conceitos estão transformando rapidamente os processos de trabalho, e existem diversos cursos de especialização nestas disciplinas que possibilitam rápida qualificação para os líderes digitais emergentes.

2. Fomento à agilidade e cultura de teste e aprendizagem contínuas

O líder da era da Transformação Digital precisa atuar com ritmo diferenciado em todo o processo de tomada de decisões e na execução das principais iniciativas digitais, criando estruturas, processos e sistemas para promover metodologias de teste e aprendizado com iterações rápidas que fomentem a implantação de iniciativas mais rapidamente adotando conceitos como o MVP (produto mínimo viável), que possibilita correções mais efetivas de rota e uma melhor qualidade da entrega aos clientes que a implementação de projetos adotando o tradicional modelo de execução “em cascata” (metodologia waterfall).

3. Equipes multifuncionais que trabalhem em ambiente de colaboração interna, autogerenciáveis e com objetivos baseados em indicadores relevantes para os clientes e para os negócios

Uma das principais mudanças que o líder da era da Transformação Digital precisa promover em todas as suas interações é a construção de ambientes de trabalho colaborativos, em que predominem transparência, confiança, foco em jornadas e soluções que efetivamente resolvam os problemas dos clientes e que sejam 100% baseados em indicadores das áreas de negócio estratégicas, táticas e operacionais (gestão por “dados e fatos”).

4. Orientação externa, baseada nas necessidades do cliente e no ambiente competitivo em que está inserido o negócio

Neste ambiente de negócios de altíssima intensidade e concorrência, a única maneira do líder da Era da Transformação Digital sobressair e ter resultados superiores é através do monitoramento contínuo do ambiente de negócios externo através de benchmarking da concorrência, simulação da experiência vivida pelos usuários de seus produtos e serviços, técnicas como mistery shopping e a busca intensiva de dados dos consumidores, bem como o atendimento integral das necessidades efetivas dos clientes em seus múltiplos aspectos e dimensões.

Desenvolvimento de talentos e habilidades digitais nas equipes e organização

O líder da era da Transformação Digital precisa ter um foco inequívoco e continuado no desenvolvimento das pessoas, permitindo que atuem com autonomia, senso de propósito e pertencimento em suas atividades associadas ao processo de transformação digital da organização ou célula multifuncional em que estiverem inseridas, fomentando o empoderamento, a tomada de decisão com risco consciente e a criação de um ambiente de trabalho dinâmico e produtivo.

Não tenho dúvidas de que os líderes que estiverem preparados nestas competências acima listadas serão profissionais capacitados para exercer um novo modelo de liderança na Era da Transformação Digital, e principalmente para levar a Inteligência de Mercado a um renovado patamar de excelência.

Serão estes os profissionais capazes de criar rotinas de aprendizado contínuo, definir novas funções e modelos de negócio digitais, revolucionar a relação de proximidade, transparência e confiança com os clientes, desenvolver equipes com performance superior, alterar processos e governanças operacionais, mas principalmente de fomentar a adoção de uma mentalidade efetiva de agilidade e inovação em todas as esferas, produtos e serviços dos negócios por eles liderados.

E você? Está preparado para ser um líder na Era da Transformação Digital?

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Biografia Fernando Moulin

Fernando é conselheiro deliberativo do IBRAMERC da Live University. Graduou-se em Engenharia Química pela Universidade de Campinas (UNICAMP), e possui MBA Executivo Internacional pela FIA/Universidade de São Paulo, além de diversas especializações executivas em marketing e gestão de instituições como Kellogg / NorthWestern (EUA), Cambridge (UK), INSEAD (França e Cingapura), Vanderbilt (EUA), Lingnan University (China) e outros. Sua última especialização foi relacionada ao campo da Transformação Digital, no INSEAD Fontainebleau.

Executivo de marketing há mais de 20 anos, é palestrante e jurado de diversas premiações de mercado. Já atuou em diferentes empresas líderes em seus setores, e em sua última passagem foi o responsável pela liderança do projeto de Transformação Digital e pelo desenvolvimento e gestão dos canais digitais da Telefônica|Vivo, com cases como o Meu Vivo (plataforma digital que conta com mais de 15 milhões de usuários ativos recorrentes e 250 milhões de transações mensais) e o lançamento da Vivi, a 1a solução de IA de telecom no país.

Adicionalmente, foi o responsável pela concepção e gestão do Vivo Digital Labs e seus squads, que representam um importante símbolo de todo o processo de transformação digital agile do mercado nacional.

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