INTELIGÊNCIA NÃO MORDE

Bruno Soares

Bruno Soares

A inteligência competitiva faz três coisas que podem ser dolorosas nas empresas.

1 – A função da Inteligência obriga uma organização a olhar externamente. 

a. Na verdade, na nossa experiência, a maioria das organizações admitem que seu foco é olhar intensamente para dentro de suas organizações.

b. Os executivos estão preocupados sobre as operações, execução e táticas. É a famosa inteligência de KPIs.

c. As pessoas mais experientes timidamente admitem que o equilíbrio seria ter um olhar mais orientado e balanceado para o monitoramento de fatores externos. É um sopro de desejos e um tapinha na cara de leve dos analistas.

A DOR DA VISÃO: A dor vem de admitir que eles – os executivos –  foram perdendo informações importantes a partir do ambiente competitivo externo às empresas.

2. A função da Inteligência questiona a organização “os porquês” e “os comos” estão obtendo os resultados demonstrados nas reuniões – sejam eles positivos ou negativos.

a. Toda empresa que nós conversamos querem melhorar, ou  querem realizar um turnaround de seus negócios, de suas atividades e operações – ou querem obter mais crescimento.

b. A luta contra a inércia é uma constante preocupação. Por conta disso, a gestão cria estratégias para melhorar os resultados.

c. A inteligência competitiva utilizada de forma metodológica relaciona essas decisões estratégicas em um contexto competitivo.

A DOR DA DECISÃO: A dor vem da exposição dos líderes em suas reflexões e nos  processos de tomada de decisão. Decidir sobre algo é sempre doloroso. 

Se você como eu é casado, e tem “patrão” , observe o sofrimento de sua esposa decidindo sobre que roupa usar para ir trabalhar, ir no mercado, festinhas e afins.

3 – A função da Inteligência exige novas abordagens. 

a. Isso vale especialmente para as empresas que não tenham um programa ou uma função de inteligência competitiva estruturada e estão começando a investir nesta função de forma mais intensa e organizada. A boa função da inteligência irá mudá-los – ou minimamente – provocar os executivos positivamente. Já notaram que quando provocamos positivamente os executivos eles se ajeitam na cadeira?

b. As mudanças incluem novas alocações de tempo, processos de tomada de decisões de estratégia e uma mudança principalmente na cultura e pessoas. Estas mudanças – não são triviais.

A DOR DA TRANSFORMAÇÃO: A dor vem de ver que a solução exige mudanças a longo prazo.

BARREIRAS E OPORTUNIDADES

Suponho que existem outras barreiras reais e imaginárias para o exercício da função da inteligência competitiva nas empresas.

Comumente, as pessoas que reconhecem que há uma deficiência do tipo “não sei por onde começar a melhorar”, precisam de orientação e muitas vezes não sabem onde eles podem obtê-la.

Uma falta de apoio dentro da organização, por vezes, deixa as pessoas pouco motivadas.

Também já presenciei a consternação verdadeira, quase como um choque para alguns, quando confrontados com a diferença entre o que eles estão fazendo e o que eles poderiam estar fazendo (ou o seu concorrentes estão fazendo).

E aí aparece uma oportunidade interessante.

Ações que se seguem em um conflito raramente permitem o florescer de uma boa relação. Em vez disso, tal como recebemos um diagnóstico médico grave, a primeira reação muitas vezes é de paralisia, evitando assim, o iniciar e desenvolvimento de novas coisas.

Analisar sem a paralisia é possível, existem algumas maneiras para diminuir o medo. Já que estamos falando de dor, vou usar analogia “medicinal” nos exemplos abaixo.

1 – Temporalidade e Relatividade: Perceba que provavelmente nós temos algum tempo. 

Falando do ponto de vista médico, apenas algumas condições são extremamente críticas. Por exemplo, vítimas de ataque cardíaco devem obter atenção imediata. Outro lembrete importante: Pessoas com infecção intestinal severa não devem sair de casa.

Para a maioria das condições, no entanto, a noção e ação da criticalidade temporal é diferente.

Nestes casos é  aceitável e recomendável proceder de forma mais estruturada e metodológica. Da mesma forma, uma falta de inteligência competitiva efetiva não acontece em um dia e nem é “curada” em um dia.

Se temos em curso alguns desafios de negócios (e todos nós temos), provavelmente temos algum tempo para refletir sobre o que fazer antes da ação torna-se essencial.

2 – Quick Wins: Mesmo algumas pequenas ações podem ser benéficas. 

É fácil ficar sobrecarregado. Tente conversar com uma jovem executiva que acabou de ser mãe e está voltando a carga e aos desafios do mundo executivo que vão entender do que estou falando.

Quando somos confrontados por uma nova e desconfortável realidade, a solução completa para “fazer o problema desaparecer” pode parecer fora do nosso alcance. E muitas vezes a crença e a realidade de nossas atividades leva à paralisia de decisões.

O combate à paralisia é simples – temos que simplesmente nos mover.

Em termos práticos, “se manter em movimento” significa que temos que identificar um pequeno número de ações úteis.

Pense nisso como a uma lista de “top 3” de prioridades de inteligência competitiva.

A verdade é que uma vez que estamos nos movendo, a nossa mentalidade mudará, começando pelos desafios mais fáceis podemos deixar de nos sentirmos sobrecarregados para um modo ativo de solucionadores de problemas.

3 – Conhecimento está logo ali: Há muitas pessoas com experiência disponível.

Há um vocabulário único para cada condição médica.  Meu tio que é médico sempre me alerta sobre isso. Muito obrigado pelos conselho tio Viko – estou sempre aprendendo com você!

Gostamos de fazer anamnese com nossos interlocutores. Minha esposa reclama que pergunto muitas coisas. Talvez ela tenha razão.

Os praticantes da anamnese (isto é, médicos, pesquisadores, psicólogos, fisioterapeutas, consultores e afins) utilizam a terminologia para se comunicar e diagnosticar as causas de algum desconforto. Querem tratar não o sintoma, mas a causa real de nosso desconforto.

Até que possamos dominar este tipo de linguagem, conceitos importantes, possibilidades e aplicações permanecem ainda desconhecidos.

A boa notícia é que há muitos pontos brilhantes sob o novo sol do conhecimento. Muitas pessoas e recursos estão disponíveis no mercado para educar e orientar alguém através de quase todas os temas complicados –  incluindo aí a inteligência competitiva.

Há aulas, treinamento, muitos consultores e várias organizações que podem educar uma organização, pessoas e grupos. Para os curiosos há ainda o auto estudo, a curiosidade inerente e um sem fim de referências.  Mas em carreira solo, sempre levamos um pouco mais de tempo para chegarmos onde queremos. Nenhum ser humano é uma ilha.

4. Evoluções iterativas.

Se você percebe que está melhorando, é provável que esteja à frente da maioria dos concorrentes.

A notícia ruim é que infelizmente, a maioria das pessoas não mudam. Tente convencer a sua mãe a mudar o seu estilo de vida e você verá a fúria intensa no seu olhar.

Se pudéssemos fazer uma relação tosca, talvez seja  por isso que vemos muitas pessoas com excesso de peso continuando a comer demais, apesar de sérios problemas médicos. Cardíacos continuam exagerando no sal e nas frituras e fumantes continuam a fumar apesar da ampla evidência do risco de câncer.

Mudar é uma dor. A verdade é que muitas vezes só mudamos porque a dor de permanecer na situação em que nos encontramos é maior do que a dor de mudar.

No entanto, algumas pessoas não enfrentam seus hábitos de estilo de vida de forma eficaz.

Elas não avançam, mesmo quando elas estão simplesmente fazendo progresso.

Da mesma forma, os hábitos culturais de uma empresa são difíceis de mudar. 

Porque um grande número de empresas não investem em inteligência competitiva como parte integrante de sua cultura?

Talvez seja porque a função da inteligência competitiva seja um pouco como aqueles testes médicos.

Fundamentalmente, para as condições médicas, os testes não causam a doença.  Em vez disso, eles ajudam a identificar qual o estado atual nos encontramos e como devemos planejar a alocação do tratamento para melhorar a nossa condição como paciente.

Temendo os testes ou o processo de testes –  o medo é extraviado. Ele destaca a condição competitiva da empresa e joga uma luz sobre possíveis tratamentos.

Ao invés de ser temida, essas atividades poderiam ser reconhecidas como uma ferramenta de diagnóstico extremamente útil e essencial para a manutenção de um bom desempenho.

Quando há medo, felizmente, existem passos simples para garantir que o foco fique além do medo e se volte na resolução de problemas estratégicos que são tão importantes para a saúde empresarial a longo prazo.

Há um mundo de coisas para se fazer. Tente identificar na sua empresa algumas das questões mencionadas acima, planeje e trabalhe para a reversão da situação. Mãos à obra!

É a nossa inteligência competitiva, para a sua vantagem competitiva.

Grande abraço,

Nícolas Yamagata

nicolas.yamagata@intelligencehub.com.br I  http://www.intelligencehub.com.br

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