Burnout: Como ajudar seus colaboradores a não se sentirem exaustos

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Se você se sente exausto, desanimado e insatisfeito com o seu trabalho, é bem possível que você esteja próximo de sofrer um burnout. Este termo em inglês também pode ser chamado de “síndrome do esgotamento profissional” e está cada vez mais comum nas empresas.

E o que elas podem fazer para impedir que seus funcionários cheguem a esse nível de esgotamento? Essa foi uma das perguntas que fizemos aos seis profissionais entrevistados nesta matéria. Além disso, também questionamos como é possível distinguir o estresse do dia a dia de um quadro de depressão ou ansidedade. Confira!

Quanto que o estresse pode interferir na produtividade dos funcionários?

Ana Paula Villegas  (Gerente de RH e Headhunter na Talent Replacement) – Pode interferir totalmente, o estresse está relacionado a muitas doenças e é psicossomático, portanto surgir não só dos quadros normalmente vistos e falados, como ansiedade e depressão, mas sim como outras doenças, na pele, respiratórias e afins. Isso prejudica ainda mais a produtividade e a permanência do colaborador no local de trabalho.

Armando Ribeiro (Psicólogo e Estudioso da Gestão do Estresse pela Harvard Medical School) – No início, o estresse pode aumentar a produtividade e o desempenho dos colaboradores, mas infelizmente o estresse diário torna-se crônico por levar a exaustão os mecanismos fisiológicos e psicológicos de adaptação que o causaram. O estresse crônico não levado a sério acarretará perdas significativas para a produtividade e crescimento saudável das organizações, bem como levará a perda da saúde (física e emocional) dos colaboradores.

Caroline Candido (Consultora de Transição de Carreira) – O estresse, geralmente, é ativado quando, diante de uma questão, há uma preocupação e pressão, podendo desencadear uma série de reações: irritação, medo, desconforto, preocupação, frustração, indignação, nervoso. Se for algo momentâneo, pode-se reagir ao estresse com agilidade e efetividade que a situação exigir, porém, se persistir, irá afetar na produtividade, na saúde do profissional e, muito possivelmente, no clima organizacional. O estresse, se permanecendo, pode causar dificuldades de raciocínio e avaliação da realidade objetiva, dificuldades em focar na solução e não somente nos problemas, dificuldades nas relações, surgimento de patologias diversas (gástricas, dores de cabeça, depressão, pânico, ansiedade).

Cyro Masci (Médico Psiquiatra e Autor do Livro “Biostress: Novos Caminhos para o Equilíbrio e a Saúde”) – Um estudo nos Estados Unidos reuniu várias pesquisas realizadas em dezoito indústrias e constatou que o trabalho em horas extras reduz a produção média por hora trabalhada em quase todas as indústrias da amostra. Um aumento de 10% nas horas extras resulta em uma redução de 2,4% na produtividade.

Outros estudos nos EUA apontaram que o estresse no ambiente de trabalho custa aos empregadores cerca de US$ 500 bilhões anuais, sendo que até 10 % dos funcionários daquele país que faltam ao trabalho pelo estresse chegam a se ausentar por 21 dias ou mais em um único mês. No Reino Unido, o estresse no trabalho chega a cusar 6,5 bilhões de libra a cada ano.

Aqui no Brasil, os transtornos mentais, que têm forte relação com o estresse no trabalho, são responsáveis por aproximadamente um terço de todos os afastamentos e licenças do trabalho.

Douglas Gouveia (Fundador da IDG Consultoria e Treinamento) – De acordo com o PhD Daniel Goleman, existe um nível de estresse que é saudável para a nossa produtividade para não ficarmos na zona de estagnação, porém, quando passamos desse ponto depois de algum tempo, se o stress não é reduzido, o organismo começa a se enfraquecer e a produtividade entra em queda. Em caso de doses extremas de stress ocasionam a perda total de produtividade.

Rennata Paolla Reis (Coordenadora de Desenvolvimento Profissional no SEST SENAT) Interfere 100%! Diminui a atenção às tarefas, impacta no relacionamento entre colegas de trabalho, afeta o rendimento ao longo do dia e, em caso mais graves, gera afastamento do funcionário.

Como diferenciar um rotineiro estresse de algo mais sério como uma crise de ansiedade ou quadro de depressão?

Ana Paula Villegas – Esse “rotineiro estresse” tem grandes chances de se tornar doenças graves. Até porque, podemos nos estressar por tudo, num relacionamento a dois, no trabalho, na família, na fila do supermercado… Há “N” possibilidades de nos estressarmos, em qualquer situação de nosso dia.

Precisamos buscar alternativas que funcionam como uma “válvula de escape” para nos ajudar a recarregar as energias para o próximo dia ou para a próxima situação estressante, isto pode ser um esporte, terapia, situações onde a pessoa encontre prazer e consiga se desconectar de seus problemas.

Para poder identificar, além de uma essencial avaliação psicológica, é bom pensar: “o que eu faço para ajudar a me relaxar e desconectar dos meus problemas e situações estressantes?”. Se a pessoa não faz absolutamente nada para se auxiliar, certamente ela precisa de ajuda profissional para auxilia-la em seu processo de ansiedade e doença psicológica.

Armando Ribeiro – O estresse diário é cumulativo no organismo e sobrecarrega a capacidade do corpo e da mente em se regenerarem. Com o passar do tempo, os hormônios do estresse (ex. cortisol e noradrenalina) levam a sobrecarga do organismo, gerando o estado ideal para o aparecimento de importantes doenças, tais como: infarto, acidente vascular cerebral, hipertensão arterial, câncer, gastrite, obesidade, dor crônica, insônia, depressão, pânico, entre outros.

Caroline Candido – A principal diferença entre o estresse pontual e uma crise ou patologia mais grave é quando há interferência em nossa capacidade (intelectual e prática). Quando não conseguimos mais realizar atividades comuns de nossa rotina em função da permanência do estresse é sinal de que a situação está evoluindo para algo mais grave.

Cyro Masci – Imagine que em um parquinho infantil perto de sua casa existe uma gangorra com duas crianças. Ambas se equilibram com relativa facilidade. Essas crianças representam todas as reações do organismo frente aos desafios e sobrecargas. Elas configuram a situação ideal: as reações do organismo se encontram em movimento e esse movimento garante a estabilidade do funcionamento da mente e do corpo.

Agora imagine que eu coloque nessa gangorra dois hipopótamos. Esses animais também representam as mudanças na química do organismo, só que, em vez de serem leves e proporcionais à estrutura da gangorra, são pesados demais, desastrados demais!

Vários problemas começam a aparecer. O primeiro é o peso dos hipopótamos. Eles simplesmente destroem tudo que está no caminho até a gangorra. Do mesmo modo, as reações do organismo podem ser tão exageradas que acabam provocando uma grande desorganização nos diversos órgãos e sistemas do corpo humano.

Um segundo problema decorre do esforço necessário para equilibrar essa gangorra. Como os bichões são muito pesados, toda a energia do conjunto gangorra/bichões será utilizada apenas para manter o equilíbrio, quando poderia ser destinada a outros fins mais úteis, como ir a uma academia de ginástica ou simplesmente relaxar numa praia.

E, finalmente, o terceiro problema surge quando as reações exageradas do organismo devem ser finalizadas. Os hipopótamos devem sair da gangorra de modo coordenado, o que não é nada fácil para bichões grandes e desengonçados.

Essa é a diferença entre o estresse normal de um que está nos levando ao desequilíbrio. Enquanto a sobrecarga no trabalho for razoável, e houver períodos de recuperação, o corpo irá tolerar. Quando as pressões parecerem como os hipopótamos, o adoecimento se torna muito provável.

Esse adoecimento pode se manifestar com quadros emocionais, como ansiedade ou depressão, ou em doenças como diabetes, hipertensão arterial, doenças do coração e vários transtornos funcionais, como a síndrome do intestino irritável.

Douglas Gouveia – Observando os comportamentos dos indivíduos, se estão mal humorados, agressivos, tristes, se sentindo sobrecarregados, esgotados, reclamando muito, desanimados e com baixa produtividade.

Rennata Paolla Reis – Acredito que, a partir do momento que o estresse/ansiedade/depressão começam a interferir diretamente na sua qualidade de vida, na qualidade do seu trabalho e nas relações com as pessoas ao seu redor, podemos perceber que já saiu de um grau leve de estresse para algo mais severo.

O que a empresa pode fazer para identificar e diminuir o risco de burnout entre seus funcionários?

Ana Paula Villegas – É natural que a gente a durma e acorde pensando no nosso trabalho/ problemas. Profissionais que não descansam e estão sempre ativos estão propensos a sofrer uma queda de produtividade muito em breve e irá precisar de ajuda profissional. A empresa deve sugerir alternativas de trabalho dinâmicas e profissionais capacitados para atender os colaboradores da empresa, deixar o colaborador relaxar em seus horários de descanso, fazer um horário de almoço corretamente, fazer menos plantões fora do horário fixo de trabalho. Essas são oportunidades essenciais para um bom desempenho contínuo.

Armando Ribeiro – As empresas precisam urgentemente se conscientizar do seu papel no diagnóstico do estresse ocupacional e do burnout, bem como adotar medidas reais para o gerenciamento do estresse.

O que vemos ainda são empresas desconectadas da sua responsabilidade em criar ambientes de trabalho saudáveis física e emocionalmente. Cada vez mais os gestores devem buscar o desenvolvimento das estratégias para promover a qualidade de vida e o bem-estar no trabalho. Vejo muitas empresas que ainda lidam com o estresse ocupacional/burnout com desrespeito pelos trabalhadores e acabam adotando medidas ineficazes para gerir o estresse ocupacional.

Se não podemos acabar definitivamente com o estresse excessivo, é preciso priorizar o desenvolvimento de estratégias organizacionais capazes de promover o bem-estar e a qualidade de vida dos trabalhadores, através de estratégias cientificamente embasadas, e não de panaceias que apenas mascaram o estresse no trabalho. O empresário que investir na gestão do estresse e do bem-estar dos seus colaboradores não apenas ganhará produtividade e maior competitividade, mas ganhará a admiração da sociedade por fomentar um ambiente empresarial capaz de equilibrar a busca do lucro com o respeito às pessoas.

Caroline Candido – Vivemos um momento bastante desafiador neste sentido, no mundo corporativo, pois a tendência é de redução de custos, enxugamentos diversos, o que gera sobrecarga de trabalho e interfere diretamente na qualidade de estrutura e gestão das empresas.

Vejo que o grande causador de burnout é uma certa irresponsabilidade organizada por parte dos quadros diretivos das instituições, onde muitas vezes não é garantido o mínimo de estrutura e suporte para o profissional desempenhar seu papel e, em contrapartida, há variadas metas extremamente desafiadoras atreladas a cobranças contínuas.

Vejo que o principal ponto é praticar o lógico: quem está nos mais altos postos de uma organização deve ficar com maior responsabilidade sobre todos os ônus, já que maior parte do bônus vai para estes cargos também. Responsabilização organizada é uma solução para o estresse ocupacional entre outras doenças do trabalho. Daí, derivados disso vem uma série de ações: gestão efetiva de pessoas, foco no desenvolvimento, liderança colaborativa, comunicação efetiva, escuta ativa.

Cyro Masci – O principal é compreender que se o mindset da empresa for de “quanto mais duro, melhor”, será muito difícil estabelecer qualquer plano de redução do estresse.

Reconhecer que o estresse é contraprodutivo, que a pressão pode até iniciar movimentos rumo às metas, mas que se for mantida por muito tempo irá reduzir a produtividade, é o primeiro passo.

Uma cultura voltada para a pressão necessária, mas não auto-predatória, deve incluir aspectos como horas totais de trabalho na semana (por exemplo, mais de 40 horas), conflitos entre família e trabalho, sensação de baixo controle sobre o próprio trabalho e o ambiente, e altas demandas com pressão para trabalhar cada vez mais rápido.

Douglas Gouveia – De acordo com Dr. Drauzio, a atividade física é o melhor remédio contra a depressão, porque produz endorfina, o hormônio do bem estar, e automaticamente baixa o cortisol, que é o hormônio do estresse.

As empresas podem trabalhar e investir em um programa de conscientização das pessoas através de treinamentos, palestras e cursos, para que tenham uma melhor qualidade de vida não só no trabalho, mas em suas vidas. E os funcionários precisam cuidar da prática de atividade física, se alimentar de forma mais saudável, ter uma noite de sono tranquila e restauradora, praticar meditação e respiração profunda, entre outras técnicas.

Rennata Paolla Reis – Atenção às rotinas de trabalho, quando as demandas solicitadas não são entregues ou se são entregues feitas fora do padrão que o funcionário comumente apresenta, mudanças abruptas de comportamento/humor, ausências contínuas e não justificadas.  Estes podem ser alguns indícios aos quais a empresa deve se atentar. Uma saída possível é desenvolver atividades laborais durante a jornada de trabalho, ter um espaço de suporte e atenção aos profissionais que estão lidando com algum problema (encaminhamento ao psicólogo e/ou psiquiatra), ações informativas e instrucionais sobre o que é burnout e depressão, apresentar quais são os sintomas e possibilidades de tratamento.

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